quarta-feira, 7 de julho de 2010

PROVAS OPERATÓRIAS PIAGET


• O conjunto de provas constitui-se de provas clássicas de experimentação em Psicologia Genética e tem servido para acompanhar na criança as noções que são objeto de estudo da epistemologia (tais como a noção de tempo, espaço, conservação, causalidade, número, etc.), mediante as quais a Escola de Genebra tem procurado dar conta do nascimento da inteligência e do desenvolvimento das operações intelectuais.
• Mediante as provas podemos chegar a determinar o grau de aquisição de algumas das noções-chave do desenvolvimento cognitivo, cujo conteúdo leva em conta cada uma delas de um modo muito específico. Algumas provas versam sobre a noção de conservação da quantidade referida a aspectos numéricos, geométricos ou físicos, e outras indagam as questões vinculadas às classes e às relações.
• O nível de construção alcançado pela criança em cada uma das noções e sua interrelação mútua faz referência, ao grau da estrutura operatória que subjaz em cada etapa do desenvolvimento.
• Mediante as provas de diagnóstico operatório é possível detectar o nível do pensamento alcançado pela criança ou, o nível de estrutura cognitiva com que o sujeito é capaz de operar na situação presente.
• Existe uma tendência bastante generalizada de equiparar cada estágio de pensamento a uma idade cronológica determinada. Você concorda?
• As idades de aquisição das estruturas do pensamento, como também os intervalos, se relacionam sempre com as condições sócio-culturais, e, mais especificamente, com as escolares.
• Se em algum momento se faz referência a idades cronológicas, pretende-se apenas oferecer um critério de juízo didático para a melhor compreensão dos fatos.
• Cada uma das provas de diagnóstico operatório é uma situação experimental bastante elaborada, que nos permite determinar as potencialidades do pensamento da criança através do estudo do grau de explorar até que ponto estão adquiridas ou não essas noções, em uma estrutura operatória, e se os julgamentos da criança resistem às contra-argumentações que são formuladas.
• A técnica utilizada é basicamente a mesma para todas as provas: interroga-se a criança na presença de fenômenos observáveis e/ou manipuláveis, convidando-a a relacionar sobre eles. É claro que o modo de experimentação está sempre subordinado aos problemas específicos que são colocados. Além disso, o desenvolvimento do interrogatório varia um pouco conforme se trate de problemas de natureza lógica ou de fenômenos físicos.
• Os interrogatórios derivados de cada uma das provas tem como objetivo, não só de conhecer os julgamentos da criança, mas também os argumentos que os acompanham.
• Por exemplo: não apenas nos interessará saber se a criança confirma ou nega a invariância quantitativa na prova de líquido mas, principalmente, que argumentos usa para justificar seu juízo de conservação ou não conservação.
Apresentação dos materiais à criança
É necessário, antes de iniciar cada prova, que a criança se familiarize com o material com que vai trabalhar. Isso permitirá a ela:
- discriminar melhor os elementos componentes;
- mitigar o montante de ansiedade que todo material desconhecido suscita.
- Para isso, pode-se deixá-la manipular o material, ou, em geral, pedir que responda: “me diga o que você está vendo...”, “o que temos aqui?...”, etc.
Recomendações de trabalho
• O método de interrogação utilizado nas provas não possui recomendações estritas para cada situação. Pelo contrário, sugere-se um diálogo entre a criança e o experimentador insistindo-se nos aspectos críticos e reveladores do problema em pauta.
• As perguntas formuladas à criança devem ser claras e precisas, como também as instruções iniciais de cada atividade, procurando fazer com que o sujeito entenda bem o que deve fazer. O importante é que a criança entenda a tarefa que deve executar, "não importando a linguagem que se usa para transmiti-lo".

Escolha das Provas

• Até os 6 anos

• Provas de conservação:
- de pequenos conjuntos discretos de elementos
- da quantidade de líquido
• Prova de Classificação:
- de mudança de critério ou dicotomia
• Prova de seriação
6 e 7 anos
• Provas de conservação:
- da quantidade da matéria
- do comprimento
- da composição da quantidade de líquido
- do peso
• Provas de classificação:
- mudança de critério ou dicotomia
- intercessão de classes ou quantificação da inclusão de classes

Prova de seriação

8 a 9 anos

• Provas de conservação:
- da quantidade da matéria
- do comprimento
- da composição da quantidade de líquido
- do peso
• Provas de classificação:
- intercessão de classes
- quantificação da inclusão de classes
• Prova de seriação
10 a 12 anos
• Provas de conservação:
- do comprimento
- do peso
- do volume
• Provas de classificação:
- intercessão de classes
- quantificação da inclusão de classes

Avaliação
• Em cada prova avalia-se o grau de construção operatória que a criança alcançou em relação à noção em estudo. Basicamente, podemos determinar três níveis dessa construção, ou seja:
1) Ausência
2) Etapa intermediária
3) Obtenção
• O primeiro nível seria constituído por todas as condutas que nos dão a entender uma clara ausência da noção. No segundo nível incluiríamos todas aquelas manifestações que revelam uma etapa intermediária de aquisição: são condutas ou respostas vacilantes, instáveis, incompletas, etc. que não denotam a aquisição estável da noção, como acontece no nível 3.
• Como critério geral, podemos dizer que a criança alcançou a etapa final de aquisição de uma noção (resposta de nível 3) quando:
a) Pode justificar seus juízos (em sua linguagem peculiar) com explicações claras e suficientemente explícitas.
b) Os juízos, relativos a essas noções, emitidos pela criança, resistem aos contra-argumentos ou contra sugestões apresentadas pelo experimentador.
c) Resolve com exatidão todas as atividades a ela propostas e/ou às questões a ela formuladas
• Como critério geral, podemos dizer que a criança alcançou a etapa final de aquisição de uma noção (resposta de nível 3) quando:
d) Essa noção não constitui um conceito isolado, ou seja, a criança também é capaz de compreender outras noções da mesma estrutura (ou pelo menos está em uma fase intermediária de elaboração, e de cuja obtenção encontra-se próxima).
e) A noção se mostra muito estável. Se a prova é feita novamente depois de ter transcorrido algum tempo, daria resultados idênticos.

GOULART, Iris Barbosa. Piaget: experiências básis para utilização pelo professor. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 1990.

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